Logo que abri meus olhos pela primeira vez, o caminho já existia e eu podia vê-lo
Ao final dele como um quadro, a mais magnífica paisagem
Então pus a percorrê-lo ainda vacilante, mochila às costas pesada de pertences
Chão pedregoso, acidentado, mas andar era minha missão
Olhos pregados no destino final
Ao longo de toda essa aridez, prostrados por toda rota
Corações vazios de amor
Pertencendo amor de sobra, dividi meu amor com eles
Olhos apagados de esperança
Pertencendo esperança a mais, dividi minha esperança com eles
Bocas sem brilho de alegria
Pertencendo sempre alegria, dividi minha alegria com eles.
Assim pensei que minha mochila ficaria mais leve e portátil
Quanto mais eu cedia, mais pesada ela ficava
Mais amor eu cedia mais brotava dentro dela
A caminhada solitária parecia não acabar
Incontestável
Os que dividiam comigo meus pertences
Tão logo saciados seguiam sua própria caminhada.
Olhos fixos no destino final, tropecei, caí, chorei
Cansada sem conseguir chegar, marcada
Percebi afinal que a chegada não importa
O segredo está na caminhada.
VIVER DE ILUSÃO
Dizem que vivo de ilusão
Por acreditar em amar
O outro com fraternidade
Me colocar em seu lugar
Na hora de uma decisão difícil.
Não acho nada demais ser generosa
E minha generosidade não priva ninguém
Para suprir outro
Ou se priva, só priva a mim mesma.
Vivo de ilusão
Por acreditar no amor perfeito
Entre duas pessoas
Por não contar minha vida
Em anos, mas em novos passos a dar.
De todas as ilusões que tenho
Apenas uma eu não carrego:
A de que em algum dia
Alguém vai perceber e compreender
Meus sentimentos e minhas ações
Já que somente quem vê o mundo
Com a luz dos meus olhos
Com o calor do meu coração
E a coragem dos meus nervos
Poderia valorizar meus esforços
Amar sem condições quem eu amo
E me enxergar como eu sou:
Nada e ninguém. Tudo e todos.
Indiferença
Você é tudo o que sempre quis.
O Sol surgindo por entre as nuvens
O primeiro fruto de uma safra difícil
O som calmo das águas
Dos rios cantando nas pedras.
Minha fantasia veneziana
Crepúsculo no céu de baunilha
Tanto calor em meio à imobilidade
gélida dos confins extremos
Luto por um olhar mais morno
Como “misérable Jean Valjean”
Por um naco de pão
Sabendo que só a escuridão
Da masmorra me espera
Minha avidez paupérrima
Não abalará sua abastada inércia.
Trilho meu Caminho de Compostela
Abrindo meu peito a fé charlatã
De um paraíso inexistente
No teu abraço renegado
No teu amor comprimido
Caminho respondendo ao impulso
De pernas automaticamente compelidas
Sem coração para colorir o chão
Pisado por pés solitários
Sem descanso nem conforto
Caminho por que não aprendi
A desistir de seguir em frente
Sigo em frente por que não sei parar
Parar é um choque irrecuperável
Respiro o ar rarefeito
Daqueles sem direito ao bom
Penso estirando meu olhar
Para além do seu poder humano
Pulso sem o tato digital
Choro na chegada
Ao fim de mais uma jornada
Sem desfrute, sem retorno
Vago gravitando em você
Perdida do seu elo
Sigo pelo nunca
O Sol surgindo por entre as nuvens
O primeiro fruto de uma safra difícil
O som calmo das águas
Dos rios cantando nas pedras.
Minha fantasia veneziana
Crepúsculo no céu de baunilha
Tanto calor em meio à imobilidade
gélida dos confins extremos
Luto por um olhar mais morno
Como “misérable Jean Valjean”
Por um naco de pão
Sabendo que só a escuridão
Da masmorra me espera
Minha avidez paupérrima
Não abalará sua abastada inércia.
Trilho meu Caminho de Compostela
Abrindo meu peito a fé charlatã
De um paraíso inexistente
No teu abraço renegado
No teu amor comprimido
Caminho respondendo ao impulso
De pernas automaticamente compelidas
Sem coração para colorir o chão
Pisado por pés solitários
Sem descanso nem conforto
Caminho por que não aprendi
A desistir de seguir em frente
Sigo em frente por que não sei parar
Parar é um choque irrecuperável
Respiro o ar rarefeito
Daqueles sem direito ao bom
Penso estirando meu olhar
Para além do seu poder humano
Pulso sem o tato digital
Choro na chegada
Ao fim de mais uma jornada
Sem desfrute, sem retorno
Vago gravitando em você
Perdida do seu elo
Sigo pelo nunca
Alto da Boa Vista
Em dias que nem eu mesma me basto
Pesquiso o céu atrás de nuvens redondas.
Sorrio para as flores baldias
à caminho do Alto da Boa Vista
Com o foco deslocado do cintilar
das agitadas borboletas azuis
que cruzam meu trajeto sem me ver,
invento falsas vidas para cada mansão misteriosa
por trás dos robustos muros da Estrada.
Em dias que nem eu mesma me basto
Pergunto ao meu reflexo nas águas do Açude da Solidão
Onde estão as fronteiras antes tão leves
Que eu costumava empurrar cada vez pra mais longe
Quando meu claustro parecia muito fóbico
Exijo respostas expressas, reveladoras
Que possam nutrir meu débil e frágil pulsar
Fito a Cabeça do Imperador
Minha esnobe esfinge enigmática
E percebo
Que em dias que nem eu mesmo me basto
Tenho que me bastar, mesmo sem ser o bastante
Sou a única coisa que me restou.
Pesquiso o céu atrás de nuvens redondas.
Sorrio para as flores baldias
à caminho do Alto da Boa Vista
Com o foco deslocado do cintilar
das agitadas borboletas azuis
que cruzam meu trajeto sem me ver,
invento falsas vidas para cada mansão misteriosa
por trás dos robustos muros da Estrada.
Em dias que nem eu mesma me basto
Pergunto ao meu reflexo nas águas do Açude da Solidão
Onde estão as fronteiras antes tão leves
Que eu costumava empurrar cada vez pra mais longe
Quando meu claustro parecia muito fóbico
Exijo respostas expressas, reveladoras
Que possam nutrir meu débil e frágil pulsar
Fito a Cabeça do Imperador
Minha esnobe esfinge enigmática
E percebo
Que em dias que nem eu mesmo me basto
Tenho que me bastar, mesmo sem ser o bastante
Sou a única coisa que me restou.
Vegetal
O homem que eu amo
Vive na penumbra dos abrigos
A salvo da curiosidade do mundo.
Só pode ser reconhecido
Quando seus olhos semicerram
No prazer de um momento
Ou na entrega ao sono.
O mundo que eu vivo
É formado de imagens e gentes
Mitológicas de uma era primária
Quando uma rosa era uma rosa
Neste mundo poucos habitantes
Se reconhecem miscigenados
Num caldeirão non sense
de etnias, melindres e
vazios eternos.
Meu indivíduo vegeta imóvel
Numa espera absurda
Pelo surgir desse homem
pela fuga da fogueira na
Direção a porta do meu mundo.
Assim presencio ébria
Atemporal, salobra
A dissolução de boas memórias
A deterioração de bons sabores
A proibição de sons celestes
dos amigos evaporados
beijos apaixonados inválidos
e meu riso de criança
aprisionado numa garrafa.
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